( Resenha ) Nem Tudo Será Esquecido de Wendy Walker @PlanetaLivrosBR

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Resenha


Já inicio minha resenha expondo que esse livro foi o melhor suspense psicológico que li nesse ano e que será impossível de ser esquecido.

Como se trata de um suspense, aviso que não poderei revelar muitos detalhes do enredo.

O livro se inicia com um narrador, desconhecido por nós, contando a respeito de um estupro. Jenny, uma adolescente adorável, fora terrivelmente estuprada durante uma típica festa adolescente.

O crime chocou toda a pequena cidade de Fairview, mas simplesmente não haviam suspeitos. O agressor se preparara para aquela noite, usou preservativo, se depilou e ainda cobriu seu rosto com uma máscara. Ele a violentou por uma hora, tempo consideravelmente longo para uma agressão que ocorreu em um local ao ar livre. Mas ninguém ouviu os gritos de Jenny pedindo por socorro. Nenhum integrante da festa ouviu seus gritos de dor. O crime monstruoso parecia ser perfeito e longe de qualquer suspeita.

A primeira pergunta que nos fazemos nesse momento é: quem agrediu Jenny? 

Adolescentes são egoístas por natureza. O cérebro deles não amadureceu. Mas alguns parecem se agarrar à própria doçura ao longo desse período na vida e se destacam. 
A revolta toma conta de qualquer leitor. Trata-se de uma menina, que teve a inocência roubada da pior forma existente.

Com o virar das páginas conhecemos então os pais da garota: Charlotte e Tom.

Sua mãe é o tipo de mulher controladora, impassível e até mesmo fria. Eu consegui enxergar muita coisa em Charlotte desde sua primeira aparição. Compreendia bem o quanto ela lutava para proteger sua família, mesmo sem saber o que havia por trás de sua personalidade tão impenetrável. Ela se preocupava em como Jenny ficaria com todas essas lembranças pós-estupro, e por isso aceitou que a filha passasse por um procedimento não muito conhecido, que tinha como objetivo apagar as lembranças dolorosas de sua filha.

Pois bem, chegamos a uma interessante discussão. Como responsável por uma garota, você iria querer que ela se lembrasse do pior momento de sua vida, já que essa lembrança faria com que chegasse ao agressor, ou a protegeria de tamanho sofrimento a submetendo a um procedimento questionável? Como julgar uma mãe que tinha como desejo apenas apagar esse momento da cabeça de sua filha?
Talvez fosse cruel demais querer que Janny Kramer recordasse.
O pai de Jenny era totalmente diferente de Charlotte. Num primeiro momento, considerei Tom muito fraco, que realmente não se portava como o homem da família. Vejam só, ele desabou por completo ao ver a situação da filha, ao contrário de sua esposa, que tomou as decisões cabíveis ao seu entender. O quão preconceituoso soou meu comentário, sou ciente disso. Mas acontece que acabo esperando homens fortes que saibam lidar com todas as tragédias que ocorrem na família, culpa da própria literatura. Porém, Tom não era fraco porque não tomava decisões. Tom era fraco por não conseguir se posicionar contra a esposa, mesmo quando acreditava ter razão. E no caso do tratamento para apagar a memória de Jenny, ele era totalmente contra, pois queria com todas as forças encontrar esse homem que destruíra sua menina. Fiquem cientes que Tom jamais contrariava a decisão da esposa, por isso Jenny perdera todas as lembranças daquela noite. 

Através dessas personalidades tão distintas, percebemos que Charlotte e Tom tem grandes histórias, e que ambos parecem querer escondê-las. Minha impressão foi que eles não queriam ser profundamente conhecidos.

Outra pergunta surge nesse momento: que segredos escondem os pais de Jenny?

Não é preciso ter um conhecimento amplo sobre as questões do cérebro humano para saber que tal tratamento não poderia ser infalível. Jenny realmente esquecera o que lhe ocorrera, mas sentia que estava terrivelmente quebrada. Ela não era a mesma, vivia como se fosse um robô, e sendo assim, as consequências de toda essa perturbação emocional que tentava esconder e a busca por respostas; cedo ou tarde iriam se manifestar de maneira negativa.
Jenny não tinha lembrança do estupro, mas o terror vivia em seu corpo.
Nosso narrador, assim sendo, nos confidencia que tem total interesse em recuperar as memórias de Jenny. Por qual motivo? Será que seria ele o tipo de agressor sádico que brinca de gato e rato com suas vítimas? Ou não, nosso narrador era apenas o meio de transporte para a recuperação das lembranças da garota? Dessa forma, entrei de cabeça numa leitura cujo principal objetivo era o de encontrar respostas. 

Foi de fato uma leitura perturbadora de um modo positivo. Como aborda violência, mesmo pra mim que leio muitos livros violentos, foi difícil ler sem fazer pausa. A escrita da autora é muito objetiva e faz com que você acredite no que está escrito. A meu ver, parecia que estava com o processo de Jenny em mãos, ou que era uma moradora da cidade e sabia sobre todo o ocorrido.
Todos somos atraídos por incidentes lascivos, pela violência e pelo horror. Fingimos não ser, mas é da nossa natureza.
Outro ponto que colabora por toda a verdade do enredo, foi o cuidado que a autora teve com elementos reais encrustados à trama. Sou farmacêutica, já trabalhei na saúde pública e por isso fiz alguns cursos para o tratamento e acolhimento de vítimas de agressão sexual. Cada detalhe contido na história não é fantasioso (com exceção do tratamento para apagar memória). Os profissionais envolvidos, os efeitos farmacológicos de todas as drogas que ela citou, enfim, fiquei admirada com tamanho cuidado.

Confesso que por saber mais a respeito de como proceder com uma vítima de estupro, sabia exatamente quem era o narrador. Mas isso não tirou a magia do suspense. Pelo contrário. Eu precisava saber quem era o monstro, ao mesmo tempo em que fiquei envolvida com Tom e Charlotte.
Queria pular páginas para saber o nome do monstro, mas me sentia mal quando tentava fazê-lo, pois a autora te coloca dentro da trama. Acabei por me envolver com o círculo familiar de Jenny e com o próprio narrador, que se mostra essencial à trama. 

Em cada capítulo uma surpresa. É um livro tão arrebatador que até a última linha me provocou espanto por não imaginar o desfecho.

Não recomendo para jovens leitores. É uma leitura voltada para o público adulto, até por causa da violência contida; porém ressalto que é mais indicada para aqueles que realmente apreciam um bom livro de suspense psicológico. É preciso ler palavra por palavra para conseguir captar a essência (por sinal deliciosa) do suspense. Li alguns comentários negativos sobre o livro, que diziam que a obra retratava mais drama que suspense. Contesto seguramente. Não se trata apenas de dramas familiares, está longe disso.

É um livro que traz como tema secundário o drama familiar, a psicologia (sim, muita psicologia, até reli para ver se a autora era realmente advogada ou psicóloga), a violência, mas o tema principal é o suspense. Tudo na medida certa para se criar uma grande e inesquecível historia.
Então ela vai se lembrar de como é ser estuprada. E então? Isso vai fazê-la se sentir melhor?
Também li que a objetividade da autora na narrativa da trama fez com o livro se tornasse frio. Eu gostei justamente disso, da frieza estampada na narrativa. Quando descobrirem quem é o narrador, ficará fácil compreender o motivo de tal objetividade.
Ninguém, nenhum de nós, se mostra por completo para outra pessoa.
Terminei o livro falando a seguinte frase: “nossa, o livro é tão bom que deveria virar filme”. Ao procurar mais a respeito da autora, descubro que ele não só vai virar filme como será produzido pela diva Reese Witherspoon em parceria com a Warner Brothers. Vale lembrar que Reese foi uma das responsáveis pelo sucesso da adaptação de “Garota Exemplar”.


A frente da Pacific Standart Films, juntamente com Bruna Pandera, Reese busca remediar a ausência de filmes com protagonistas femininas. Assim sendo, já tenho altas expectativas para a adaptação.

Se você ainda não está convencido a ler o livro, é bom saber que a autora Wendy Walker é destaque nas 10 listas de leituras mais importantes da atualidade e uma das mais elogiadas do momento, de acordo com publicação do Skoobnews.

Leitura mais que recomendada para os que apreciam um inteligente suspense psicológico.



Um comentário

  1. estou lendo o livro, o psiquiatra que narra o livro?

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